Contar História
Técnica I
Aprender e ensinar através do ato de Contar História.



  Técnica I  

A técnica de Contar História é relativamente simples, mas é necessário um mínimo de cuidado e atenção no momento da realização desta atividade.

 O ato de contar história vai desde o espaço onde ele é realizado, a composição  e a relação entre o Contador de História e o fundo, a iluminação (não é necessária a iluminação de um teatro), a expressão (facial, corporal e o movimento das personagens), o olhar, entre outras condições. Esta página tem por objetivo proporcionar alguma informação técnica de forma clara, simples e na qual serão feitas inserções contendo novas dicas ou sugestões.

Nota: Também é certo, como acontece em todas as atividades, que não poderemos satisfazer ao total dos alunos, motivo que não deve ser obstáculo, por um único condição, quando do desenrolar da atividade existirão meios de chamar a sua atenção e integrá-lo ao grupo. Outro fato importante, nem todos alunos precisarão fazer parte do grupo de contadores, poderão sim estar desenvolvendo outras funções, como a criação do texto base etc.

 

Indicações

O Espaço

  1. Em sala de aula: Explorar a sala de aula de forma diferenciada, mudando a disposição das carteiras ou até mesmo as colocando no corredor e criando um espaço aberto. Há neste caso a possibilidade de se forrar o chão para que os alunos possam sentar e realizar algumas atividades sem que se sujem.

  2. Outros espaços internos da Escola, como: Sala de Leitura, Sala de Informática, a Cozinha, o banheiro dos alunos(as), Secretaria, Sala de Reunião, Sala de Vídeo, pátio interno etc. Muitos destes espaços da escola são comumente proibidos ou atendem a uma única finalidade, mas em alguns momentos eles precisam ser abertos para que o aluno perceba que tudo aquilo está ali para atender e formá-lo como cidadão crítico e participante. Em dado momento um Contador de História poderá na cozinha ensinar os alunos a fazerem o seu próprio lanche ou uma refeição, nessa atividade lavam as verduras (sempre assessorados pelas cozinheiras ou merendeiras), cortar o pão, tirar a salsicha da embalagem, colocar na panela para cozinhar, descascar o tomate para o molho, abrir os saquinhos para o lanche, preparar o suco (natural ou artificial) ou o leite, verificar se não estão sujando demasiadamente o ambiente etc. Esta é uma entre as muitas outras possibilidades. O mais importante é que um Contador de História seja o orientador dos alunos, pois é uma forma diferente de construir o conhecimento.

  3. Outros espaços externo da Escola, como: Pátio externo, Jardim, parque, área arborizada, estacionamento, Quadra Poliesportiva etc. Estes são relegados geralmente aos intervalos ou para a aula de Educação Física, porém é um espaço na Escola que proporcionam aulas riquíssimas e o ato de Contar História nestes espaços oferecerá um momento diferente e descontraído, bem diferente da sala de aula.

  4. Fora da Escola I: numa praça, jardim, parque, teatro, museu (área interna ou externa), em algum espaço comunitário, numa igreja, zoológico, Jardim Botânico, próximo a um rio ou mar ou represa, em um clube, uma indústria, restaurantes, lanchonetes etc. Vide Excursões ao lado.

  5. Fora da Escola II: Faculdades, Universidades, Exposições de Arte, Feiras (Industriais, Produtos, Pecuárias, Agrícolas, Educacionais etc.), Laboratórios (clínicos, fotográficos, física etc.), entre muitas outras possibilidades. Este tipo de trabalho proporcionará uma troca de experiência, principalmente no caso das Universidades ou Faculdades, pois os alunos do ensino regular fundamental, ensino médio, ou ainda, da pré-escola, esse tem muito a ensinar aos alunos Universitários e o contrário também é válido.

  6. Fora da Escola III: Visitar um  orfanato, asilo, creche, hospital, Posto ou Centro de Saúde, Postos Médicos, Instituições para Menores que tenham cometido atos anti-sociais, comunidades carentes etc. A escola geralmente é um mundo a parte, fora da realidade da comunidade, pouco participativa e desconhecedora dos fatos que acontecem diariamente em seu entorno. Sair com o aluno para visitar estes locais além de conscientizá-lo, será aflorado, quando bem trabalhada (durante a excursão), a solidariedade e não a piedade ou dó. A participação da Escola em trabalhos sociais é primordial para a formação de um aluno responsável, crítico e atuante, que respeita seu semelhante e os bens públicos e será sabedor da importância do trabalho coletivo.

  7. Fora da Escola IV: As chácaras, sítios, fazendas, usinas de açúcar, Clubes de Campo, Hotéis Fazenda, sítios ou fazendas turísticas, rios, praias, córregos, nascentes, represas, usinas de tratamento de água, usinas de tratamento de esgoto, matas, reservas florestais, sítios arqueológicos, usinas hidroelétricas, usinas eólicas, usinas termoelétricas, agroindústria, granjas, escolas rurais (de curso regular ou técnico), aldeia de índio, vilarejos, fazendas experimentais etc. O trabalho de construir conhecimento através do ato de Contar História poderá ocorrer antes, durante e depois de uma excursão, ele poderá também ser de improviso, feito pelo aluno ou professor.

  • Excursões a pé: Durante o percurso da excursão tem um objetivo pedagógico, mesmo que ela seja destinada ao lazer. O problema é que muitas vezes este percurso acaba sendo um transtorno tanto para professores bem como para os alunos. A solução é a de se contar história. Outra possibilidade é em pontos chave o Contador de História interromper a caminhada e contar uma história (é importante que esta seja curta e conseqüentemente rápida), por exemplo num semáforo, antes de atravessar uma rua ou avenida ou estrada, ao passar por uma praça, um monumento histórico, parque, hospital, prédio da Prefeitura, Câmara dos Vereadores, Museus, entre outras possibilidades. A(s) história(s) poderá(ão) ou não estar(em) relacionada(s) à estes pontos. Estas paradas poderão servir para um breve descanso ou para uma análise do seu bairro, dos locais mais importantes, da função das unidades comerciais, industriais ou de serviços. Fazer as apresentações onde todos os alunos possam ouvir e que não tenha nenhum risco para estes.

  • Excursões em transporte coletivo: Estas excursões deverão ser bem organizadas e os cuidados deverão ser maiores, mas não são impossíveis, são na realidade uma forma de integrar a Escola à sociedade, ao respeito ao bem público, essa ação aumentará o senso de responsabilidade do aluno. O fato dele pagar uma passagem também tem sua função pedagógica, este ato mostra que nem tudo é de graça na Educação (deveria ser), que os governos, em sua maioria são omissos nesta questão. Durante o percurso observar a qualidade do transporte público que é oferecido à população, ato que proporcionará uma postura mais crítica etc. Este transporte poderá ser um ônibus, trem, metro, veículos menores etc. Neste caso é mais complicado a realização de uma apresentação do Contador de História, os passageiros não são apenas alunos, mas não impossível, porém é mais recomendável que ela ocorra durante o embarque ou o desembarque.

  • Em excursões em transporte fretado: Durante uma excursão mais longa a ansiedade pelo tempo de viagem poderá ser um fator que gere bagunça e geralmente é mal aproveitado pedagogicamente falando. Um Contador de História, o professor ou outro adulto, vai evitar que os alunos, principalmente os pequenos, façam bagunça, briguem ou se ofendam. Fazer apresentações curtas, mas relacionadas à excursão, em espaços de tempo pré-programados para que os alunos as discutam, de preferência sem a interferência do professor ou contador de história. Muitos alunos levam nestas excursões lanches e refrigerantes, e quando estiverem comendo não deverá haver apresentação. Este momento não deve ser usado para uma apresentação, pois ele deve ser descontraído. É importante trabalhar a questão da higiene e limpeza, portanto contar história neste momento provavelmente não será proveitoso. O meio de transporte também poderá ser o tema para o Contador de História, seja ele um ônibus, trem, barco, navio, avião etc.

A Composição

  1. A escolha dos temas poderá ser feitas pelo professor, aluno, comunidade escolar etc.

  2. Os temas deverão fazer parte de um projeto e estarem relacionados à construção de um determinado conhecimento.

  3. Poderá surgir após um trabalho comunitário, uma excursão, uma palestra, debate, seminário, filme, vídeo, apresentação em computador, peça teatral, show de música, projeção de slides, apresentação em um retroprojetor ou epíscopo etc.

  4. A história poderá ser contada através da música, o repente por exemplo ou a paródia, por um violeiro, sanfoneiro ou pelos alunos com seus grupos musicais.

  5. Proporcionar uma visão mais profunda e de forma diferenciada aos temas escolhidos. É muito comum o aluno representar a violência existente em sua comunidade ou aquela proporcionada pela televisão sem nenhuma reflexão, problematização, crítica e ou solução. A solução poderá vir de um debate, seminário, conferência etc.

  6. É recomendado que a Escola produza pelo menos uma apostila, na forma de um caderno tamanho A5 sobre o trabalho sugerido nos itens quatro e cinco após a sua conclusão. Este trabalho poderá ficar a cargo do Professores, CP, Direção, e outros profissionais que façam parte da comunidade escolar. Há é óbvio a possibilidade do aluno produzir este trabalho, mas ele terá que ser bem estruturado. Este material poderá ser impresso em mimeógrafo a tinta, caso a escola não o tenha, normalmente as delegacias de Ensino ou outras Unidades Administrativas Educacionais possuem alguma forma para imprimi-los. Existe ainda a possibilidade da comunidade escolar ajudar, por exemplo: as lojas, o comércios, as industrias, poderão fazer reprodução do material. De tudo isso o mais importante é que ele seja distribuído para todos alunos, professores e de forma gratuita.

1. O texto deverá ser um referencial, não deverá ser decorado em hipótese alguma. Caso isso ocorra a naturalidade, o improviso, a espontaneidade, serão perdidas.

2. É importante que o texto seja produzido a partir de uma experiência anterior, seja ela dentro da comunidade, da escola, de uma excursão, palestra etc.

3. Discutir as questões que envolvem a escrita e a relação do ato de se comunicar. Esse trabalho permite que o leitor entenda a mensagem que é transmitido.

4. É muito importante que o professor tenha uma cópia do texto e que ele faça a correção com o grupo criador ou até mesmo com toda a sala.

5. Poderá ser realizado um seminário onde sejam apresentados os textos e convidados falem dos temas neles abordados.

6. Nesta proposta do item cinco também é possível e produz resultados altamente favoráveis para a construção do conhecimento, desde que os alunos façam a apresentação, ou seja, eles mesmos contam a história, três ou quatro apresentações relacionadas ao tema. Logo após o convidado faça a sua palestra. No final é recomendado um espaço para perguntas e respostas por parte do palestrante. Não realizar seminários conjugados à venda de livro do palestrante ou da editora, neste caso acaba sempre perdendo em qualidade, pois o interesse acaba se voltando para o comercial.

7. As Histórias deverão ter aproximadamente 15 minutos, pois se forem muito extensas se tornarão cansativas, principalmente caso o contador não tenha uma boa experiência de trabalho. O ideal será determinado pelo professor e pelos alunos. Já vi trabalhos produzidos por meus alunos com menos de cinco minutos e outros, também belíssimos, com mais de quarenta minutos.

Relação Contador de História, o som e o fundo
  • O Contador de História deverá ser o destaque, por este motivo é importante que o fundo não chame mais a atenção. Em muitos casos não há como se colocar um pano de fundo escuro, por isso é importante que seja escolhido um local bem iluminado, que valorize a figura do Contador de História e que não disperse a atenção do público.

  • Para um Contador de História o cenário é o menos importante, qualquer local com mínimas condições poderá ser o seu palco.

  • A acústica também deverá ser propícia a apresentação, o uso de microfone e caixas de som geram a impessoalidade cênica e o distanciamento do público.
  • Local onde há reverberação (eco) do som, muitos ruídos, interferências, mesmo que agradáveis, prejudicam e impedem um maior envolvimento.
  • Apresentar em espaço aberto como uma praça, jardim, pátio, sob a sombra de uma árvore, no calor de uma fogueira durante a noite ou em dia frio, na calçada ou calçadão, são locais especiais e interessantes. Nessa situação é imprescindível que não tenha muito barulho.
A Expressão Oral
  • Uma boa história é contada trabalhando-se a voz: empostando-a quando necessário; oscilando-a para um momento de medo; trêmula para um momento de medo ou para uma pessoa de idade; afinando-a para representar uma criança; aumentando o tom para representar a imposição, o comando e a truculência; a morosidade oral para representar a preguiça, o cansaço, a falta de sono etc.

  • Ao trabalhar a voz o Contador de História trará para si a atenção do público. Em uma aula de geometria, por exemplo, será possível transmitir teorias através de uma história, ou melhor, do ato de Contador de História.

  • Variar a impostação da voz em momentos importantes, na mudança de personagens, de cenas ou fatos faz com que o público seja envolvido pela sua imaginação ou fantasia.

  • O ato de Contar História deve ser pausado, tranquilo e nunca deve se falar rapidamente, exceção feita para o momento interpretativo que solicita esta condição. O importante no processo é que o público tenha tempo para refletir.

A Expressão Facial
  • Outro artifício importante é a expressão facial, quanto mais expressivo for o Contador de História melhor será o resultado diante do público, no nosso caso o aluno.
  • Quando os alunos Contadores de História iniciam uma apresentação a voz deverá ser colocada em um tom que permita a todos da sala ou de outro ambiente tenham clareza do que é dito, ou seja, escutem.
  • É recomendado que o trabalho seja desenvolvido para um grupo de no máximo 40 alunos. Um número maior exigira um espaço maior e conseqüentemente um trabalho acústico mais aprimorado.
A Expressão Corporal
  1. Não é com trejeitos que se conta uma história, mas sim usando elementos da mímica.
  2. Os movimentos deverão ser largos e que deem a sensação de que eles estão acontecendo.
  3. Através da expressão corporal é possível recriar a postura de uma pessoa idosa, cansada, ferida, triste, séria, magoada, desiludida, esperançosa, apaixonada, abandonada, empolgada etc.
  4. Mesmo quando estiver usando objetos ou bonecos
  5. O corpo deve transmitir as características da personagem ou do fato descrito.
A(s) Personagem(ns)

São muitas as opções para a criação dos personagens, por isso a pesquisa é fundamental para que a opção escolhida responda bem às características das personagens. Estes objetos poderão representar pessoas, animais, insetos, aves, peixes, ou mesmo outros objetos.

  1. Folha de papel lisa.
  2. Madeira (natural ou industrializada)
  3. Plástico em filme, lâmina ou chapa.
  4. Vidro
  5. Metal
  6. Dobraduras
  7. Fios diversos
  8. Tecido
  9. Saco de papel, tecido ou plástico
  10. Prego
  11. Argila
  12. Massa plástica de modelar
  13. Gesso
  14. Porcelana fria (biscuit)
  15. Tinta (qualquer técnica)
  • Objetos de cozinha
  • Aparelhos eletrodomésticos
  • Brinquedos
  • Material de Escritório
  • Material Escolar
  • Bonecos (fantoches, imã de geladeira, marionetes etc.)
  • Lenços
  • Toalha de banho, mesa, rosto etc.
  • Travesseiro
  • Fronhas
  • Lençol
  • Cobertor
  • Perucas
  • Peças de carro
  • Ferramentas em geral (é importante saber o nome)
O Olhar
  1. No processo de Contar História o olhar é talvez a principal arma, pois um bom contador olha para o seu público e faz observações, dá pausa, questiona, fixa o olhar, desloca o olhar de lado a lado (da esquerda para a direita ou vice-versa), da frente para o fundo ou do fundo para frente, um olhar distante sem que ninguém seja mirado, olha para os personagens etc.
  2. É importante sempre acompanhar o movimento das personagens com os olhos, o mesmo para os movimentos da mão quando está descrevendo um objeto, coisa, volume, velocidade etc.
  3. Não usar óculo durante a apresentação.
  4. Bonés e chapéus poderão prejudicar a interpretação e poderão cobrir os olhos.
  5. Prenda os cabelos na maioria das situações durante a interpretação.
O Registro
  1. Os alunos poderão estar anotando as situações vivenciadas no momento da apresentação, logo após ou em outro momento.
  2. Ele também poderá ocorrer durante um seminário, debate, conferência, entrevista dada pelo(a) Contador(a) de História etc.
  3. Em um relatório ou análise, individual ou em grupo, sobre os assuntos e temas abordados.
  4. Relato analítico e pessoal contendo conclusões, entendimentos, dúvidas etc.
  1. O registro fotográfico é uma opção interessante.
  2. O registro em vídeo poderá proporcionar uma análise mais completa em um debate, seminários etc.
  3. Os alunos poderão fazer uso dos gravadores de áudio também.

 

Cuidado com os direitos autorais, respeitá-los também é uma aula e proporciona uma formação ética.

 




Importante